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Black Mirror no topo das melhores séries

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Black Mirror é uma série britânica e tudo que você já ouviu, leu, pensou ou queria que alguém produzisse, está inserido nela. Sim, ela existe. Sem floreios ou caminhos ludibriados, ela é um verdadeiro soco no estômago; um forte soco de realidade sobre o poder auto destrutivo da tecnologia. Apesar de ser uma ferramenta que nos possibilita avanço, ela pode ter efeitos colaterais irreversíveis, que não nos damos conta, ou que até nos damos, mas que já estamos tão imersos no meio que consideramos tudo como “normal”.

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Ela é constituída de sete episódios, divididos em duas temporadas de três episódios cada e um episódio extra (que ao meu ponto de vista é o episódio mais espetacular da série). Depois de ter sido cancelada, o Netflix anunciou recentemente que irá produzir mais 12 episódios e você logo entenderá porque essa é uma notícia espetacular.

Primeiro que ela é completamente diferente dos padrões de séries de TV que conhecemos. Cada episódio é independente um do outro, e isso leva a dois pontos principais: primeiro a capacidade criativa de se criar roteiros inteligentes, sem serem repetitivos com o mesmo tema. Segundo pelos méritos de que, a cada episódio, a qualidade técnica e produtiva mantém-se. Não dá para dizer que um episódio é ruim. Isso faz com o espectador não perca o interesse em momento algum, pelo contrário, a expectativa pelo próximo episódio só aumenta absurdamente.

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Outro ponto é que precisamos dar um foco nesse roteiro. Logo no primeiro episódio é levantada a discussão sobre as redes sociais e o seu poder de dizimação, consequentemente os seus efeitos negativos. No enredo, há o sequestro de uma carismática Duquesa, no qual o sequestrador ao invés de pedir dinheiro para resgate, pede que o Primeiro-ministro tenha relações sexuais com um porco (sim, você leu certo) ao vivo e que seja transmitido mundialmente no Youtube. Uma informação simples é dizimada, seja ela verdadeira ou falsa e isso faz com que crie-se um auto-julgamento de caráter em relação ao Primeiro-ministro que está colocando a vida da Duquesa em risco, sem levar-se em conta que a sua própria vida está correndo riscos morais, sociais e psicológicos. Levanta-se algo interessante: qual o limite entre o proveitoso e destrutivo da rede social? Algumas atitudes, notícias, calúnias, bullying, podem ser irreversíveis.

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Em um outro episódio temos o transporte da rede para a vida social, na qual você tem o poder de bloquear as pessoas a sua volta, conforme a sua livre vontade. Interessante? O seu poder de liberdade é restrito a outra pessoa, capaz de te excluir da vida dela simplesmente com um toque (você não consegue vê-la, ouvi-la ou tocá-la). Ou esse poder de bloqueio pode se expandir de tal forma que “falhas sociais” serão usados como métodos de isolamento completo. Talvez não seja tão interessante quanto parece. O egocentrismo entra na discussão, de quem bloqueia e de quem é bloqueado e os efeitos que isso pode causar.

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É impossível você finalizar um episódio e não pensar: ‘que porra é essa que está acontecendo com o mundo?’. Sempre penso que em obras de ficção científica, o cenário atual criou bases para se construir um mundo possível em um futuro próximo, nada se cria do nada. E o modo como estamos caminhando, talvez seja bem próximo do que vemos em Black Mirror. Poderemos bloquear pessoas na vida real das quais não queremos mais ter contato, já não fazemos isso nas redes? Ou poderemos criar um mundo onde as pessoas usam a tecnologia para gerar energia, comida e comprar seus programas de TV favoritos e serem uma grande vitrine para nosso entretenimento barato; pouco interessadas nos sentimentos, sonhos e anseios alheios. Ou até mesmo o episódio em que alguns absurdos estão acontecendo pela cidade e as pessoas não mais se auto ajudam, pelo contrário, elas utilizam daquilo que está acontecendo, para filmar, tirar fotos e postar online, fazendo um reality show de 24 horas de ‘desgraças’ dos outros. Tudo isso há alguma semelhança com o cenário atual? É, dá muito medo.

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Black Mirror é uma série tão genial que usa o melhor e o pior do ser humano. A sua capacidade de avanço contrapondo a sua capacidade de aniquilação própria. Talvez mais que nos chocar, o seu papel seja de nos alertar para onde estamos caminhando. Todos os episódios são tão verdadeiros, tristes, brutais e sem verdades contidas. Me arrisco a dizer que é a melhor série já produzida, no seu conjunto (produção, roteiro, atuações) mas principalmente por ser uma série tão reflexiva e de algo tão próximo a nós.

Depois de tudo isso, se você ainda não viu, tem no Netflix 😉

Assista ao trailer:

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