Domingo Deprê

Blue Valentine, 2010 – Namorados Para Sempre

O amor é um precipício irrefutável. Sempre lá, pronto para nos receber ao lançarmos. Sabemos de suas consequências, de seus espinhos e muito provável de seu desfecho. Mas o que importa em amar, nunca é o resultado final e sim o caminho pelo qual passamos e tudo que vivemos. Acredite, é impossível viver uma vida sem magoar ninguém. Blue Valentine é esse retrato cru do amor em seu auge até o seu precipício.

“O toque de seus dedos transmitia a ela ondas de confiança.
Ele ia beijá-la. Era o que ela queria.
Então por que ela sentia que estava num precipício,
pronta para cair?
Os lábios dele tocaram no dela e ela parou de pensar. Só sentia.
Sentia a doçura de seu beijo, a força de seus braços
e o coração batendo em sua mão
quando ela pegou em seus braços.
Havia um precipício e ela estava caindo.
De cabeça.”

Entre passado e presente uma longa trajetória que leva Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams) a se apaixonarem. O encontro, o primeiro beijo, as dificuldades do relacionamento, as coisas que cada um tiveram que abrir mão, todos os sacrifícios pautados e aceitos. Não deixando espaço para arrependimentos posteriores. A paixão, até a avassaladora rotina. O enfrentamento do furacão do desassossego, que faz com que questionemos os próprios sentimentos. É quando o a amor passa pelo seu maior teste de resistência.

“Como confiar em seus sentimentos quando eles desaparecem?
Acho que só poderá descobrir se tiver o sentimento.”

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Ao acompanhar Blue Valentine não tente encontrar culpados. Os relacionamentos terminam, da mesma forma que começam.  A eternidade deixa de existir em um instante qualquer, sem que nos demos sequer conta. Acaba em um dia chuvoso enquanto olhamos a janela e não vemos mais sentido. Acaba em um dia de sol no parque. No café sobre a mesa. Acaba quando tem que acabar. E assim como Dean e Cindy, passaremos cada cena do passado, ao cerne da relação, tentando encontrar justificativas ou pontos de: onde deu errado? A resposta é inconclusiva.

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O mais engraçado é que a cada cena queremos desesperadamente que tudo dê certo. Que nada acabe e todo amor genuíno retorne ao coração, que as desavenças deixem de existir e que a rotina seja um mero acaso. Queremos que o tempo retorne e pause no auge do sorriso, de quando o coração batia forte e a mão gelava de ansiedade. Queremos que o quadro de família pendurado na parede não mova um milímetro sequer e que o melhor de nós ainda esteja lá quando acordarmos.

“Você sempre machuca aquele que ama
Aquele que você nunca deveria machucar.
Você sempre fica com a rosa mais doce…
e a esmaga até as pétalas caírem.
Você sempre quebra o coração mais bondoso
Com uma palavra que você não consegue…
lembrar.
E se eu quebrei seu coração na noite passada…
É porquê… Eu te amo… acima de tudo. ”

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Blue Valentine não é um filme para você desacreditar no amor. Provavelmente você já foi Cindy, já foi Dean, já terminou um relacionamento e está pronto para outra. Você sabe o quão dolorido é não ter a resposta. Mas aprendemos que viver é ter a certeza que tudo que é para sempre, um dia acaba.

Entre eu, tu, eles e você, sempre haverá um abismo no qual nunca conseguiremos respostas pautadas na racionalidade. A vida a dois é uma beleza sublime, que não é ditada por regras. Nunca saberemos a fórmula do sucesso. Sucesso o qual é relativo para cada um. Mas teremos a certeza de ter vivido um grande amor e isso sim, poderemos dizer que valeu a pena.

Trailer – Blue Valentine

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