Sessão Cinéfila

Depois de Lúcia (Después de Lucía, 2012) – Michel Franco

Depois de Lúcia é um filme difícil de se resenhar, mas muito fácil de qualificar. Uma leve confusão acontece em identificar quem é o personagem principal ou até mesmo, qual o drama principal. E talvez esteja aí o seu efeito surpreendente e cativante, e ao mesmo tempo, confuso e tão difícil de falar sobre. Te choca do início ao fim e um fim que talvez você não esperasse. Pelo menos não da forma que ele acontece. 

Muitas questões rodeiam esse filme. Primeiro a perda da mãe de Lúcia em um acidente de carro. Esse será o evento pontapé para a largada do filme e também para o desenrolar da trama. Tendo que viver apenas com o pai, ambos parecem se apoiar um ao outro para seguir adiante. Mas nem todos os sentimentos e sofrimentos são assim tão claros. O que nos leva ao drama número dois. 

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Lúcia tem que se adaptar à nova escola, aos novos colegas de classe, a nova rotina, ao novo lar, enfim. O que faz com que ela gere um esforço imenso para ser aceita. Para fazer parte de algo novamente, uma vez que a sua vida encontra-se completamente desestruturada e com um rombo gigantesco. 

O que nos leva ao terceiro e derradeiro drama do longa. Ao se envolver sexualmente com um dos garotos do colégio, o ato é gravado e acaba vazando por toda a escola. O que gere uma série de bullyings, ofensas e retaliações para cima da garota. E a intensidade com que isso acontece, muda totalmente o tom da trama. Se até então vínhamos acompanhando um ritmo cadenciado de fatos, aqui os mesmos se dão um atrás do outro sem que você pare para refletir direito o que está acontecendo. 

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É uma sequência de choques, um atrás do outro. E mesmo que o filme não se preocupe em te explicar os porquês dos adolescentes levarem tais atos tão a sério e cada mais profundamente, ele mergulha profundamente nas consequências. O que te faz sentir sendo a Lucia por muitos momentos. E sentir as suas dores. E saber o quão preocupante é assuntos qualificados de adolescentes, mas que podem levar a sérias consequências. É mais uma oportunidade para falarmos de um assunto que não é exclusivo a adolescentes e muito menos ser considerado “normal”.

PS: Depois de Lucia foi um feliz achado na Netflix 

 

TRAILER | DEPOIS DE LÚCIA

 

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  • Amanda

    A menina não se chama Lucia, e sim, Alejandra. Faz tempo que vi, mas creio que Lucia era a mãe dela.

    É um filmão, deveriam exibir nas escolas.

    • citacoescinefilas

      Realmente, Amanda. Foi uma confusão de nomes. Obrigada!

      E deveria ser um material educativo mesmo, de alerta para cuidado com os jovens e suas ações – muitas vezes tidas como coisas de “criança” – mas que acabam por ter graves consequências.