Domingo Deprê

É Apenas o Fim do Mundo – Xavier Dolan

É Apenas o Fim do Mundo de Xavier Dolan é um tiro no peito que deixa de lado todas as obviedades. Que te sufoca em alguns momentos por desespero de querer libertar sentimentos tão primitivos e que te força a interpretar tudo que não é dito. Por que o silêncio fala mais que todas as palavras. 

Louis (Gaspard Ulliel) é um jovem escritor que visita a sua família após 12 anos. A visita pelo sentimento de auto libertação de quem está prestes a morrer. A visita buscando preencher o vazio que foi toda a sua vida, tentando encontrar respostas ausentes em sua memória.

Louis ainda tenta continuar a conversa que se deu a anos atrás. Prejulgando que nada evoluiu por ali e mesmo descobrirá que pouco se deu em sua ausência. Ele se tornou a figura culpada de quem foi embora e que de repente aparece para o café em um fim de tarde, esperando que a sua ausência seja uma festa e no fim, só poderia ter acontecido o que sempre acontece, a vida segue.

Seu irmão ainda o culpa por ter deixado todos os sonhos compartilhados na velha casa. A auto culpa por deixar amor de adolescência morrer. A irmã que mal viu crescer. Os sobrinhos que nem sabe o nome. A mãe que ainda espera o seu retorno, não para ser parte novamente integrante da família, mas para dar vida aos sonhos de quem foi viver lá fora e estimular quem ficou e deixou de viver faz tempo. 

Cada conversa individual entre Louis e sua mãe, Louis e seu irmão, Louis e a irmã, entre a cunhada é uma descoberta sobre todas as coisas que envolvem esse encontro. Cada conversa que se dá é um sentimento reprimido de solidão, de raiva, de tristeza, de euforia. E tudo está ali. Todas as respostas estão ali, no canto de cada sorriso, das palavras que não saem de sua boca. Todas as respostas estão ali e elas não precisam ser ditas, pois elas já foram ditadas a cada postal monossilábico enviado a cada data comemorativa, a cada aniversário.

É apenas o fim do mundo é um filme dolorido, assim como são todos os filmes de Xavier Dolan. É um filme que anseia o desejo de gritar de desespero com cada batida da música que ensurdece e se cala com um corte seco. É um filme belíssimo e poético. De uma fotografia impecável. Com uma cena final que é literalmente um suspiro do fim – e poderia falar horas e horas apenas dessa cena, que nada a define melhor do que um suspiro. E um elenco que dispensa apresentações: Vincent Cassel (Cisne Negro, Irreversível), Marion Cotillard (Piaf, A Origem), Léa Seydoux (Azul é a cor mais quente).

 

Se quer um conselho ao assisti-lo, não se engane com seus primeiros minutos um tanto arrastados e diálogos desconexos e também não espere que ele lhe dê respostas. Tudo fica ao cargo do espectador; que precisa esmiuçá-lo em cada detalhe e somente assim, senti-lo. E senti-lo em todas as suas formas e cortes e embalos e dores e suspiros.

 

 

Ficha Técnica – É Apenas o Fim do Mundo

Título original: Juste la fin du monde
Direção: Xavier Dolan
Distribuição: California Filmes
Data de estreia: 24/11/16
País Origem: Canadá França
Gênero: Drama
Ano de produção: 2016
Duração: 97 minutos
Elenco: Marion Cotillard, Gaspard Ulliel, Léa Seydoux, Vincent Cassel
 

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