Domingo Deprê

Ela (Her) | A dificuldade de estarmos só

Se queremos ver humanidade no cinema, Spike Jonze traduz como ninguém tal sentimento. Creio que ele possui uma sensibilidade expandida dentro de seu peito. Que ele é uma daquelas pessoas que sentem demais, por serem exageradamente humanas. Por conta disso todos seus filmes, são películas que ficam em nós. Cravam em nossos corações e demoram a passar – e se passam. Her é mais uma tradução sincera de amor, carinho e afeto. Que aos olhos de Joaquim Phoenix descobriremos muito mais sobre nós mesmo e sobre sentimentos tão intensos e perturbadores que envolvem o ser humano. 

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Não, não é um filme para ser visto apenas uma vez. E nem mesmo apenas no tempo presente. Futurista retrô, Her é um filme que está além, que se divide entre um futuro distante e um futuro presente. E será que se nesse tempo “futuro” ainda seremos dependentes de amor? E será que o amor será expresso apenas da forma convencional que amamos agora? Talvez. 

Talvez até lá nos desprendemos da necessidade de amar. Talvez nos apaixonemos por outras formas de amor, inanimadas, assim como Theodore se apaixona por seu sistema operacional. Afinal, talvez o sentimento não precise estar ligado a carne. Nem ao toque. Somente ao sentir.

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Talvez em um futuro precisemos mesmo que pessoas com sensibilidade aflorara diga para quem amamos, tudo aquilo que não conseguimos expressar. Talvez haverá diversos Theodoros escrevendo nossas cartas de aniversário, de casamento. Mandando nossos cartões de parabéns e felicitando as conquistas de outrem. Ou será que os sentimentos só são verdadeiros quando eles saem de nós e não tomado de palavras de outro?

HER

Somos totalmente moldados pelas relações. Somos dependentes delas para que preencham nossos vazios internos. Estar com alguém é uma regra social. Imagina você quebrando a maior regra Universal de nascer, crescer, casar e procriar. Não é difícil de imaginar os velhos clichês de: “Ainda solteiro”. “Coitadinho solitário”. E essa convenção dependente faz com que não consigamos estar só. Parece errado estar só e feliz consigo mesmo.

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Essa sociedade de merda nos condiciona a coisas erradas. Por que ninguém nos ensina a amarmos a nós mesmos? E esse sentimento de auto amor fosse elevado ao próximo, talvez houvesse menos ódio, rancor e mágoa. Estaríamos preenchidos. E talvez, quem sabe, poderíamos nos apaixonar por nosso sistema operacional, pelo abajur, pelo sol, pela vida. Talvez não fosse nenhuma loucura. Talvez. 

 

 

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