Domingo Deprê

Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer, 2015

Eu não sei o que é mais legal em Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer. Talvez legal nem seja a palavra mais adequada. Massa, incrível, irado talvez traduza melhor. Mas é que ele é um daqueles filmes em que os adolescentes são aduldatizados (essa é a palavra mais estranha que eu já consegui soletrar). É meio indie, belo e triste demais para eu já começar assim logo de cara falando sobre o que ele se trata, é preciso te preparar primeiro. 

Acho que o título é muito grande e difícil pedi-lo no cinema: “por favor, uma meia-entrada para Eu, você e a garota que vai morrer” não consigo me ver falando isso sem gargalhar e antes da coitada da atendente me olhar com cara estranha de quem não está entendendo nada. E muito provável por isso que ele ficou tão pouco tempo em cartaz nos cinemas. Uma pena, porque poucas pessoas o conhecem, e cá entre nós, é uma ótima indicação para um Domingo de fim de tarde.

E o que você vai me perguntar agora na sequência “tem na Netflix?”. Infelizmente não, mas você pode baixar via torrent e se você for preguiçoso demais para isso, a Netflix pode trazê-lo em breve e você poderá deixar guardada então essa sugestão.

Apesar de o titulo ser extenso demais, ele tem um porque. Eu é Greg (Thomas Mann), você é o seu único amigo Earl (RJ Cyler). Ambos são apaixonados por cinema e fazem diversas releituras dos clássicos. O que além de entretenimento ainda é uma aula riquíssima de cinema. 

E a garota que vai morrer é vivida pela bela e encantadora Olivia Cooke. Aliás, só eu acho que esses papéis de doenças, cai tão bem nela? Aqui ela é uma jovem que possui leucemia (ela também tinha sérios problemas de saúde em Bates Motel). Até aí nada de diferente dos filmes em que a garota possui uma doença e morre no final e todos ficamos extremamente triste porque ela não tinha amigos e quando ela encontra e cultiva uma grande amizade ela morre. Mas esse não é bem assim. 

Ele gira em torno de uma bela amizade, é verdade. Mas ela é tão sincera, justa e companheira que você até se esqueça que talvez a garota vá morrer no final e que é um filme triste (apesar de que eu chorei horrores nas cenas finais). Ele não é tão romantizado, nem tão cruel (talvez um pouco), nem tão melancólico. Ele é um retrato próximo do real e ao mesmo tempo peculiar. 

O seu desenrolar, sinceramente, é puro aconchegante e te deixa com um sorriso no rosto de esperança de que tudo dará certo. E talvez dê. Sei lá! Talvez não pelos motivos que você deve estar pensando agora. Talvez seja pela sua sensibilidade particular. Creio que ele te tocará nos detalhes simples e nas perspectivas diante da vida como um todo. Da morte, da vida. Da adolescência, do amadurecimento. Do crescer e do crer com uma esperança juvenil. É um belo presente aos amantes do cinema e da vida. 

E se eu puder te dar um dica, como eu geralmente dou nos textos que escrevo, é que você não se prenda as obviedades, começando pelo titulo, ele é feito de detalhes e cada detalhe te dará uma resposta diferente. 

 


Trailer – Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer

 

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