Sessão Cinéfila

Garota Exemplar (Gone Girl, 2014) – David Fincher

Destaque-Garota-Exemplar

“O quão bem você consegue conhecer a pessoa que você ama?”

Garota Exemplar é um filme para se apreciar, ir desvendando aos poucos seus mistérios e descobrir que nada
é o que parece.

A primeira coisa que me vem à cabeça ao pensar em Garota Exemplar é porque os títulos em português
são tão ruins. Ok, o título original não é incrível, mas deve haver algum complô entre os tradutores brasileiros,
está aí a explicação. Enfim, superado esse primeiro contato, como todo bom cinéfilo, você procura saber quem
é o diretor na esperança de ser um filme bom. No caso, David Fincher é um diretor sensacional, logo vale a pena deixar todo e qualquer pré-conceito de lado e ver o que o filme oferece.

Inside-Garota-Exemplar

Alguém já disse: “não se julga o livro pela capa e nem um filme pelo título”. E a frase cai como uma luva. O enredo
se passa na vida do casal Nick (Ben Aflleck) e Amy (Rosamund Pike) que se casam após se conhecerem
em uma festa. No início, um casal super apaixonado, até que vem a rotina, os anos passam e os problemas começam, resultando ao longo dos anos em um casamento de fachada. No aniversário de 5 anos de casados, Amy desaparece
e Nick passa a ser o principal suspeito de seu desaparecimento.

Até aí, imagine um filme chato, bem chato, que te leva a pensar: “nada de novo, perdi meu tempo”. Após 30,
40 minutos de filme essa onda depressiva que te consome vai embora e então VOILÀ! É assim mesmo, de repente, em um ponto todo o cenário que estava te levando para um desfecho x, muda completamente para um cenário Y
e o filme começa a ganhar um dinamismo que te dá um nó na cabeça: ‘Em quem eu devo acreditar?’ ‘O que é verdade
e o que é manipulação?’. E a fissura vai ficando cada vez mais forte e posso te adiantar sem spolier que o final não
é nada previsível.

Inside-Garota-Exemplar2

David Fincher é um rei. Ele consegue fazer de um roteiro básico algo bem interessante, entreter com poucos recursos. Ele já vem feito filmes nessa mesma linha, como Clube da Luta, Seven: Os Sete Crimes Capitais,
O curioso Caso de Benjamin Button
 e não podemos deixar de citar House of Cards, que apesar de não ser uma direção unilateral, ele marca presença na 1º temporada da série.
Eu, particularmente, gosto muito de como ele articula os personagens, que possuem sempre um “Q” a mais. Eles nunca são o que de fato aparentam.

A forma como a mídia é tratada no filme também é algo bem interessante. Com o desaparecimento de Amy,
a mídia cria um caso de “Big Brother” da vida real. Bem característico de programas de TV  americana sensacionalista. Há uma crítica pesada a esse modo de jornalismo e a importância que as pessoas dão para vidas que não lhes pertencem, como se fosse uma fuga de sua própria realidade rotineira e sem graça.

É um filme que te faz refletir sobre muitas questões sociais e psicológicas. E te leva até a desconfiar um pouco de tudo e de todos. É para se ver em um final de semana e rever depois de algum tempo. E rever depois de mais um bocado de tempo. E aí recomendar a um amigo.

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