Cinema Nacional

O Abismo Prateado, 2011 – Karim Aïnouz

Uma canção de Chico Buarque e uma atuação belíssima de Alessandra Negrini. Lágrimas caem sem pedir passagem, com a dura canção que acompanha cada recorte: “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz/Ao sentir que sem você eu passo bem demais”. Assim é O Abismo Prateado. Uma canção de 1976 transformada em poesia filmada.

O filme é dirigido por Karim Aïnouz  (Praia do Futuro (2014), Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (2009)). E carrega consigo traços bem característicos: personagens solitários tentando encontrar pontas perdidas e de uma extrema sensibilidade. Assim é Violeta, que transforma a canção em uma carta de amor para seu marido que a abandonou:

“Quando você me deixou, meu bem, me disse para ser feliz e passar bem / Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci, mas depois, como era de costume, obedeci / Quando você me quiser rever já vai me encontrar refeita, pode crer / Olhos nos olhos, quero ver o que você faz / Ao sentir que sem você eu passo bem demais.”

Violeta é uma mulher comum, dentista, carioca, simples. Uma mulher que trabalha, vai a academia e acompanha o passar de sua vida pacata ao lado de seu marido com quase 20 anos lado a lado. Em um dia qualquer, ela recebe uma caixa postal de Djalma (Otto Jr.) dizendo: “Eu não te amo mais”. 

Desamparada, Violeta ao som do mar de Copacabana, mergulha em seus pensamentos tentando encontrar erros e culpados. Os diálogos não são de extrema importância. A trilha sonora ao fundo dá o tom exato ao filme, que acompanhado brilhantemente por Negrini, expressa em seus gestos, respirações ofegantes e expressões faciais, toda a dramaticidade que cada recorte necessita. 

 

Trailer – O Abismo Prateado

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