Especial

Os finais felizes e a culpa da Cultura Pop

Tom Hansen tinha razão, a nossa crença no amor vem dos filmes e da cultura pop e dos cartões com palavras bonitas que pegamos emprestadas para fazer nossas. E nesse sentido Theodore também é um grande contribuidor para fazer do amor uma farsa inventada que faz com as pessoas exijam e consumam finais felizes e nos obriga a vivermos eternamente com um sorriso no rosto sem conseguir aceitar a dureza de como as coisas são.

Se você não conhece Tom Hansen lhe apresento: Joseph Gordon-Levitt foi o escolhido para atuar ao lado de Zooey deschanel (Summer) no filme mais hipsterizado do século XXI (500 dias com ela). Alguns dizem que ele faz parte da própria cultura pop, mas não é, é invenção, é criação, ele não é feliz, Summer não é uma vadia e Tom é só o garoto que se apaixonou pela garota que não retribuiu o seu amor. Algo de errado nisso? Conhece algo parecido? Provavelmente.

Theodore (Joaquin Phoenix) é o homem adulto, com bom emprego que se apaixona pelo seu sistema operacional. Não é loucura! Estamos tão conectados que estamos nos distanciando de tudo que é real e palpável e trocando por algo imaginário. Estamos conectados e não presentes – e cada vez mais. E isso nos leva a pensar em como Spike Jonze não somente em Her, mas em Where the Wild Things Are consegue fazer filmes tão reais. Lembro como meu coração se partiu infinitas vezes na primeira vez que vi ‘I’m Here’ e ele ainda se quebra. Mas estamos sempre nos doando em troca de algo que não vem. Começa a compreender a minha paixão por finais reais?

E ainda nem falamos de Sebastian e Mia em La La Land. Um final que ninguém esperava (desculpe, mas já passamos pelo prazo de validade de spoliers). Claro que ela seguiu a vida dela seguindo seus sonhos e ele fez o mesmo independente do amor que havia entre ambos. Claro! Isso é a vida! E por ser Hollywood você esperava que ela se se tornasse a esposa perfeita esperando o marido em casa com o jantar postado e anos de felicidade seguidas de um “felizes para sempre”? Claro! Que clichê! Desculpe pela decepção.

Quisera nós que a vida fosse como todos os filmes nos moldes de ‘De Repente 30. De repente você é só uma garota esnobe de 13 anos, sendo babaca como a maioria dos adolescentes são, mas tem a oportunidade de acordar com 30 anos e perceber o quanto horrível a sua vida será. E ainda terá a chance de reparar todos os erros e viver com o carinha da sua adolescência na sua casa de boneca. Perfeito! Esse filmes compõe muitos Domingos, mas não todos. 

E eu não estou tentando te influenciar de nada. Somente te dizendo que finais reais não têm ver com decisões depressivas de escolhas cinéfilas (acredite que há pessoas que não conseguem encarar esses fatos). Sei lá. Por fim, às vezes você só precisa assistir ‘A Culpa é das Estrelas’ e perceber que um dia todo mundo morre e que você tem que estar preparado para isso. E que Jack e Rose nem existem, é só a imaginação da perfeição amorosa do roteirista que queria vender mais bilheteria.

Privamos muito os nossos sentimentos. Evitamos dizer que estamos maus, tristes e carentes. Evitamos dizer que estamos vazios por dentro, apenas evitamos. Porque estamos o tempo inteiro condicionados a sermos felizes. A camuflarmos tudo e seguir em frente. E te digo, a vida é uma droga, não tem problema ficar mal, assistir um filme e seguir a vida, contanto que você siga a vida. E filmes como Blue Valentine, Alabama Monroe, The Lobster, About Time, Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, todos eles te mostrarão um lado que talvez você também sinta e se identifique. Os filmes não precisam ser sempre um pastelão da Globo Filmes.

Nem sempre a garota vai se apaixonar pelo garoto (inclusive se você for a garota ou o garoto). E nem sempre será uma história de amor. E está tudo bem. É somente a arte imitando a vida. E o cinema sendo belo em toda a sua complexidade e aumentando o estoque de lenços de papéis das farmácias. Mas acredite, você supera.

“- Amor. Você sabe?
–  Alguém?
– São esses cartões, os filmes e as músicas pop. São os culpados por todas essas mentiras. E os desgostos.
Tudo.
Somos responsáveis. Eu sou responsável.
Nós fazemos uma coisa ruim.
As pessoas deveriam poder dizer como se sentem.
Como realmente se sentem, não… umas palavras que um estranho coloca na boca delas.
Palavras como amor… não significam nada.”

 

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