Sessão Cinéfila

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, 2014) – Damián Szifron

É um filme que mostra a linha tênue que separa a civilização da barbárie.

Relatos Selvagens é um filme argentino com um pitada espanhola, duas na verdade, porque a produção conta os irmãos Almodóvar. Somente a partir daí fica difícil de imaginar um filme ruim.
Na direção e roteiro, Damián Szifro, mesmo com poucas aparições midiáticas já ganhou meu respeito e de muitos aspirantes. Ele dirigiu ainda os filmes Hermanos & Detectives (2006), Tiempo de Valientes (2005), El Fondo Del Mar (2003), mas nenhum deles ganhou tanta notoriedade quanto Relatos Selvagens.


Antes de partir para detalhes, devemos desmistificar essa ideia de filme “Cult”. Filme é filme, alguns bons, outros ótimos e a maioria deles péssimos. Tudo está baseado em torno de um bom roteiro, uma boa direção, uma boa fotografia e saber encaixar a trilha sonora, e as vezes, mas não necessariamente ter efeitos especiais e Relatos Selvagens se encaixa na categoria de bom filme, sem nenhum efeito explosivo. O que é ótimo.

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O importante em um filme são as experiências que a “película” transmite, se ela é capaz de mudar a sua forma
de pensar e agir, se ela é compreensível do começo ao fim.
Levando por esse lado, Relatos é sim um filme “Cult”, mas dê a ele uma chance, não o rotule assim logo de cara.
Vou te contar alguns detalhes.

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Ele é denso e linear, mas cada história possui um ápice. Através de seis curtas independentes entre si, relatos fortes
e selvagens. Melodramáticos, cruéis e sanguinários. Você se depara com diversos sentimentos e ações como: raiva, frustração, violência, corrupção, ódio, traição, impotência, vitalidade, amor, tudo misturado. Isso tudo faz com que você ria até doer a barriga e pense PutaQuePariu! E ao mesmo tempo sinta pena, porque é um retrato factual da nossa sociedade desgastada e que está caminhando para a retrocedência. Como já diz teaser: “é um filme que mostra a linha tênue que separa a civilização da barbárie”.

P.S.: o trailer é péssimo e diz bem pouco sobre o filme, fica aparentemente algo “mais do mesmo”, mas está longe de ser mais um na multidão.
E tem o Darín, é claro!

 

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