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Resenha: 3% – Série Original Netflix

Havia muita expectativa sobre a estreia de 3%, a série brasileira com produção original Netflix, mas poucos sabem que tudo nasceu de um episódio piloto (muito bom, por sinal) dividido em três partes e divulgados no Youtube. Com produção de Maria Bonita Filmes, os primeiros minutos são tão eletrizantes, que te deixa com um sentimento de: é impossível essa série dar errado. Mesmo sendo uma série de ficção científica, na qual o Brasil ainda tem um público consumidor baixo. A premissa do episódio piloto é a mesma: em uma sociedade dividida em dois polos, um pobre e outro rico, jovens tentam passar para o lado de lá, passando por um processo de seleção intenso e um tanto imprevisível e assim, entrar para os 3% que terão a chance de uma vida melhor. A Netflix gostou e lançou oito episódios no último dia 25 de Novembro, a sua mais nova produção original.

 

Episódio Piloto 3% – Parte 1

O que acontece é que a expectativa foi maior que a realidade. Desde o primeiro episódio, a série havia perdido um pouco do seu efeito de “adrenalina”. Os atores eram outros e fracos. Atuações um tanto “forçadas” são as primeiras impressões de 3%, com episódios que se arrastam sem fim. A série fica muita pautada no roteiro do processo, processo, processo. Enquanto o piloto se forçava muito do personagem, personagem. É o personagem, os seus interesses e ideias que farão com que a série ganhe um tom mais agressivo.

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Lendo algumas opiniões sobre a série, encontrei a seguinte frase “É uma mistura de Jogos Vorazes, Black Mirror e Malhação” . Obrigada a quem a escreveu, nada a define melhor. E isso não está envolto do que é a série, mas sim, do que foi feita com ela. Foi-se criado um ambiente cheio de referências pouco originais, onde se perdeu o nosso maior trunfo, ela ser brasileira e seu universo. Mas, talvez nem tudo esteja tão perdido. Os dois últimos episódios, 7 e 8, ganham uma carga mais intensa. Deixa-se de lado o Universo infantil de tramas, tramoias e ares conspiratórios e passa a atacar o cerne da discussão: o ser humano. Começasse a discutir as questões de merecimento, de hereditariedade e percebe-se que talvez o lado de lá, não seja, assim, repleto de bondade, mas de uma justiça especifica para alguns. Que talvez esse mundo ilusório igualitário não exista e que os valores sejam muito mais complexos do que se imaginava. Daí, fica aquele sentimento de uma segunda temporada melhor. Não sei. Dentre expectativas vs realidade, essa série é um livro aberto.

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E por favor, você que sai dizendo por aí que quem não gostou da série é simplesmente pautado no fato dela ser brasileira, entenda que existem coisas boas e ruins, para os mais variados gostos, que independem de sua nacionalidade. Falar de algo que não é de seu agrado, não significa generalizar tudo a sua origem. Brasil tem muita produção boa sim, mas 3%, a meu ver, não é uma delas.

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Trailer Oficial – 3%

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