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Resenha: A Chegada (2016) | Citações Cinéfilas

Finalmente foi possível assistir ‘A Chegada’ e ainda sim, ao encontrar uma sessão que desse tudo certo, só restava um assento, na primeira poltrona. Tinha que valer a pena o ingresso e valeu-se com maestria. 

É um filme complexo e que você pode absorvê-lo em dois pontos: levando em conta apenas o lado ficcional ou levar em consideração seu lado científico, que te garanto que sem menosprezar nenhum dos lados e sim uni-los, você entenderá que Denis Villeneuve conseguiu montar um filme, que se não genial, beira ao elogio.

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O filme é baseado no conto do escritor Ted Chiang chamado ‘História da sua vida’. Ficção científica com direto a alienígenas e tudo mais. Calma, não tem grandes explosões e nem grandes romances e nem o patriotismo americano de salvação no dia 04 de Julho. Ufa!

O que ele traz de interessante então? Você deve estar se perguntando… Primeiro, ele já é ótimo por ser um filme pouco Hollywoodiano (ouço urras?), segundo que é muito interessante como ele coloca o papel principal a uma mulher (já recorrente nos filmes de Villeneuve). Estamos falando de ciência mesclado a exército, um ambiente ainda machista e visto como “inóspito” à mulheres. Em A Chegada, Villeneuve dará a Dra. Louise Banks (Amy Adams), professora linguística, toda o poder de guiar a trama.

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A Terra é invadida por 12 naves de 400 metros de altura que não se comunicam de nenhuma forma na qual reconhecemos e só emitem sons desconhecidos. Banks chega então para tomar frente e tentar decifrar a mensagem. A partir daí vem toda a teoria na qual o filme se baseia, que é a teoria linguística chamada de Sapir-Whorf.

Edward Sapir iniciou um estudo linguístico em meados dos anos 20, que posteriormente foi dado continuidade por Benjamin Lee Whorf, na qual, a estrutura e base do vocabulário são capazes de moldar o pensamento e as percepções individuais e coletivas.

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Exemplificando (ou complicando) o que nos difere dos animais é somente a língua na qual nos comunicamos, segundo Einsten. Em todos os demais aspectos somos iguais. Da mesma forma que estudos comprovam que uma sociedade pode ter mais lucidez sobre alguns assuntos que outras, por conta da limitação ou expansão de seu vocabulário. E ainda sim, reforçando esse pensamento, tomamos como base 1984 de George Orwell. Na qual a partir da redução do vocabulário inglês, deixando mais simplificado, era possível se reduzir a crítica social, pela falta de formas de expressões. Assim, era possível tornar uma sociedade mais “obediente” e com uma redução da capacidade de pensamento e raciocínio.

A partir daí, o grande desafio de Banks é decifrar essa linguagem inóspita, que se expressa apenas através de símbolos circulares, que não possuem começo ou fim  e que abrange uma série de significados em apenas uma figura, sem precisar montar palavras como o nosso vocabulário. O que daria uma expressão imensa de consciência e possibilidades. 

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A parte da ficção científica toma forma, através dessa abertura linguística, podemos nos desprender de conceitos “arcaicos” e abrirmo-nos mentalmente para uma dissolução de espaço-tempo de outra dimensão, que somente alienígenas possuem tal consciência (não necessariamente isso dá como uma afirmação).

O que abre campo para uma outra discussão que é a existência de outras formas de vida além da humana e se essa forma de vida é mais evoluída que nós e nós, humanos, somos arcaicos ou se somos evoluídos diante dessa outra forma de vida ou ainda se essa forma de vida existe ou não. Mas aí entram diversas outras teorias abertas e complexas, que quem sabe podemos discorrer em algum outro filme.

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Como conclusão, valeu muito a pena o ingresso e toda a base de pensamento que o filme traz, deixando a instiga de entender mais sobre o Universo que é tão amplo e tão misterioso ainda a nós. Claro, que é assunto que dá manga para os entusiastas no assunto, caso contrário, se visto somente como um filme de ficção científica, deixará um pouco a desejar.
PS: não tem explosões de Hollywood, é só uma ficção pirada.

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Ficha Técnica – A Chegada

Título Original: Arrival
Ano: 2016
Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker, Michael Stuhlbarg, Mark O´Brien, Tzi Ma, Nathaly Thibault, Russell Yuen, Abigail Pniowsky
Roteiro: Eric Heisserer
Direção: Denis Villeneuve
Gênero: Ficção-científica
País de Origem: EUA
Duração: 116 minutos
Distribuição: Sony Pictures

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