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Resenha: Amy, 2015

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Amy Jade Winehouse deixou saudades aos 28 de idade. Cantora e compositora, iniciou cedo na música cantando Jazz e Soul e mais ao fim mesclando Pop/Rock. O documentário é assinado por Asif Kapadia e vemos uma beleza fílmica em 128 minutos, de uma adolescente cheia de problemas ignorados, que anseia por liberdade e que tem medo de tudo e ao mesmo tempo não tem medo de nada.

Asif Kapadia não podia ser uma escolha melhor para dirigir o longa. Responsável também pelo .doc nacional Senna, consegue incluir em cena pormenores relevantes, sem perder o contexto geral. A relação com a música, o processo criativo, os amores, as confissões e o que fazia de Amy um alguém tão encantadora e especial.

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A sua relação com a música era inerente, e ela fez de sua voz a fuga de si mesma. Com timbres impressionantes, o resultado não poderia ser outro, se não fama repentina. Ela nasceu para o sucesso. Mas o seu lar estava em um palco de mil pessoas e não em um de um milhão. Ela queria ser ouvida e não estar rodeada de pessoas e ainda assim sentir-se só. Ela queria uma conversa íntima, porque as suas músicas são pessoais, sentimentais, a melhor expressão de si mesma.

“Onde tem muito dinheiro e expectativa em jogo, a cabeça das pessoas fica meio confusa. Elas querem tentar resolver as coisas, mas sempre protegendo essa trajetória de sucesso financeiro.”

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Essa relação de fama e sucesso era algo difícil para Amy lhe dar. Parecia que isso a isolava cada vez mais do mundo e de si própria. Ainda mais com a aproximação do pai, que sempre foi ausente na infância, encontrou no sucesso da filha um caminho de conforto. Cada passo era acompanhado, registrado e convertido em valor monetário, contribuindo para a sua autodestruição. O seu maior prazer na vida, virava um desprazer, transformado em álcool e drogas como uma válvula de escape.

“Pai, você quer dinheiro? Eu te dou dinheiro. Por que você fica registrando a minha vida como se fosse sua? Eu não quer virar uma caneca personalizada. Você quer eu vire uma caneca personalizada?”

Aliás, o amor sempre foi o seu ponto fraco. A relação com o seu pai, a relação com seus amores todos resultados em desastre. Essa necessidade de ser amada a todo custo, a levou a um casamento doentio e cego com Blake Fielder-Civil. Blake que iniciou Amy nas drogas: crack e cocaína. Ele também que utilizou de sua figura para configurar uma vida mais tranquila e sossegada e que no final a abandonou da forma mais cruel possível. Essas falhas amorosas a machucava muito, mas o maior erro de Amy foi não conseguir amar a si própria.

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Esse documentário é uma linda homenagem a Amy. Uma garota singela que sentia um vazio incompreendido. Que queria ser ouvida, que amava música, que amava Jazz, mas que amava pouco a si mesma. A garota que a mídia aplaudiu e a mesma mídia crucificou, que a chamou de voz inovadora e depois de fracassada. Claro que ela também possui a responsabilidade nas próprias falhas e o ‘vilões’ são muitos, inclusive ela mesma. Nesse momento não vale mais a pena encontrar culpados, o desfecho dessa história poderia ter sido diferente. Ao longo do filme dá uma vontade desesperadora de alterar o desfecho e termos uma a menos no constatação: “é tão estranho, os bons morrem jovens”.

“Vai com calma. Você é importante demais. A vida ensina a viver, se você viver o suficiente.”

 

Ficha Técnica:
Título Original: Amy
Ano: 2015
Direção: Asif Kapadia
Duração: 128 minutos
Origem: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte

Confira o trailer de Amy:

 

 

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