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Resenha | Big Little Lies

A HBO novamente nos mostra que Game of Thrones não foi um sucesso isolado e muito menos por acaso. O canal ao longo dos anos conseguiu repetir o sucesso de suas produções originais, The Westworld não nos deixa mentir, seguido do tão comentado por aqui The Leftovers. E agora a sua última produção, Big Little Lies, que está aí dentre as melhores (se não a melhor – ao meu ver) série do ano de 2017.

Antes de mais nada saiba que não ela não é óbvia. Eu sei que a primeira impressão é mais um universo de ricos e suas banalidades, mas aqui, donas de casas ganham um outro patamar de significado, muito além de ricas, entediadas, entediantes e vazias. O poster de divulgação e lançamento da série é um exemplo de sua falta de obviedade. Odeio cartazes que imprimem fotos dos protagonistas, cobrindo cada centímetro quadrado como forma de venda, esquecendo-se completamente o conceito ou tentativa de transmitir a essência do conteúdo. O cartaz aqui é uma junção ambos fatores (até o cartaz dessa série é bom). Impresso com rosto gigante do trio de protagonista é um fator de venda forte, mas ao mesmo tempo exprime tanto da essência da série. Percebeu (ou perceberá) como duas olham para o lado e a outra para a frente? Percebe que a do meio olha para o lado e a terceira como se desviasse o olhar? Percebeu como ela é mais do que aparenta ser? Cada detalhe possui uma carga de significado gigantesca.

Madeline (Reese Witherspoon), Celeste (Nicole Kidman) e Jane (Shailene Woodley) são mulheres imperfeitas como quaisquer outras, vivendo sob uma máscara social bem moldada, em que não se admite erros. Assim elas são acovardadas a admitir vergonha por ter um casamento abusivo e pedir ajuda. Medo de admitir que está em um casamento fadado ao fracasso. Medo de lidar com seus piores demônios internos após um estupro que gerou um criança. É fácil se identificar com elas, porque mesmo por trás das belas paisagens praianas e por do sol de cinema, elas são mulheres, humanas, como nós.

O pontapé inicial é a investigação de um assassinato durante uma festa da escola primária que seus filhos frequentam. A partir dai teremos mescla de depoimentos, flashbacks e acontecimentos em tempo real. Conheceremos intrinsecamente cada um de seus personagens. Mas será que seremos capazes de desvendar do que se trata o crime, o que motivou o assassino, em que circunstâncias se dá o assassinato. Novamente, reforço que nada é assim tão óbvio.

Big Little Lies contém apenas 7 episódios. Não foi preciso deixar pontas soltas ao final do sétimo episódio e muito menos fazer delongas desnecessárias. Na medida, David E. Kelley cria um roteiro intrigante e Jean-Marc Vallée (Wild, Clube de Compras Dallas) o conduz brilhantemente na direção, de forma sutil, bela e sincera.

 

 

Trailer legendado – Big Little Lies

 

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