Resenhas

Resenha | Humano – Uma Viagem Pela Vida

Humano – Uma Viagem Pela Vida, um filme de Yann Arthus-Bertrand é uma sinceridade fílmica. Uma poesia falada por diversos rostos, de diversas culturas, opiniões e ideias. Cada entrevistado fala sobre seus sentimentos mais profundos e sua visão sobre ser humano e as suas capacidades e limitações. Leva a reflexão: o que somos e para onde estamos caminhado? Uma pergunta ampla que ainda permanece em aberto.

Se pensarmos que somos todos semelhantes, gerados da mesma matéria. Matéria a qual nos compõe com as mesmas células e moléculas. Com a mesma capacidade de existência, mas com um grande abismo de diversidade e desigualdade. O que nos diferencia? O que nos faz melhores ou piores? Porque há guerra? Porque há violência? Porque há intolerância religiosa? Porque há fome? Porque há preconceito, racismo, falta de amor…? Enfim… Semelhanças, diferenças, distinções, até completos estranhos.

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E em meio ao caos, esse documentário não poderia ter vindo em um momento diferente. É um bálsamo para refletirmos sobre o que queremos enquanto indivíduo e enquanto sociedade. Se nós enquanto únicos, como podemos contribuir para fazermos daqui um mundo melhor. O que parece ser uma frase muito clichê, é ao mesmo tempo um convite a enxergar partindo do único para o todo. E  não é hipocrisia querermos paz, igualdade, amor e respeito. Se queremos isso enquanto indivíduo, porque não refletirmos isso para enquanto sociedade?

É impossível evitar de ser tocado por diversos desses depoimentos. O primeiro já deixa claro o que virá pela frente. O que é o amor? Eu acho que eu nunca vou esquecer o que esse rapaz fala, talvez não percebemos o que comunicamos e como isso é refletido em outras pessoas e marca um ser humano para sempre.

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“Eu lembro… meu padrasto me batia com cabos de extensão e cabides, pedaços de madeira e todos os tipos de coisas.
Ele me dizia: “Doeu-me mais em mim do que em você. Eu só fiz isso, porque eu te amo.”
Ele comunicou a mensagem errada sobre o que era amor.
Assim, durante muitos anos, eu pensei que o amor era para machucar.
E foi quando eu fui preso, um ambiente que é desprovido de amor, que comecei a ter algum entendimento sobre o que ele realmente era.
Eu conheci alguém.
Mãe de Patricia e Chris, duas crianças que assassinei, que me deu a maior lição sobre o amor.
Ela tinha todo direito de me odiar, mas não o fez.
Ela me deu amor. Ela me ensinou o que era.”

Eu realmente tenho um certo medo do futuro. Tenho medo da capacidade do ser humano odiar. Medo de guerra. Medo de tanto ódio. Medo de tanta intolerância. Medo da falta de aceitação. Medo da violência que nos assalta todos os dias ao sair de casa sem saber se irá voltar. E porque? E para que? O que ganhamos de fato?

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O cinema conseguiu reunir pessoas que não se conhecem e provavelmente jamais saberiam da existência de uns aos outros. Assim como o depoimento da senhora que diz:

“Feliz é essa coisa chamada cinema, que é capaz de mostrar a terra onde eu vivo. Não há muitas pessoas por lá. Não há riqueza. Mas há amor. Há beleza. E será uma felicidade imensa saber que agora o mundo a conhece. Então venham visitá-la, será uma imensa felicidade”.

 

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