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Resenha I Gypsy, 2017 (Original Netflix)

Gypsy é uma série completamente desafiadora, não somente a Netflix, mas ao próprio consumidor. Talvez ela seja um pouco diferente do que estamos acostumados. Ação, gritaria, porrada e bomba, se dá a resolução e em seguida uma reviravolta, calma, não é o caso aqui. Ela irá te envolver, te prender e hipnotizar. Explorará violentamente (no sentido intenso da palavra) a personagem para você entenda a sua mente misteriosa, que ao final se revela muito mais intrínseca que inicialmente e aí que se encontra o grande lance de um roteiro maravilhoso que deixou, aqueles que gostaram da série, completamente maravilhados.

Antes de mais nada não podemos deixar de citar a atuação de Naomi Watts, ainda me encontro extasiada pelo seu olhar sereno e sua fala relaxante. Ela (Jean Holloway) uma terapeuta competente e bem-sucedida em sua área de atuação e aparentemente com uma família bem estruturada, com problemas normais de um relacionamento que tenta manter a chama viva apesar do tempo. Em primeiro contato é difícil encontrar rachaduras em sua vida “quase perfeita”. Até mesmo na relação de sua filha de 8 anos que prefere se expressar com um vestuário completamente masculino e inclinada a tendências homossexuais ou a relação estreita demais de seu marido com a linda secretária. Apesar disso, tudo parece caminhar nos eixos de uma vida normal e segura.

Mas Jean precisa mais que uma vida normal e regrada, é quando ela começa a envolver-se emocionalmente com seus pacientes, ultrapassando uma barreira importante na relação paciente/terapeuta. Tudo começa com Sam (Karl Glusman), um jovem obcecado pela ex-namorada, capaz inclusive, de se matar para ter a atenção e amor da bela jovem Sidney (Sophie Cookson). E Sidney irá se aproveitar diversas vezes dessa relação de auto dependência para conseguir aquilo que deseja.

O assunto principal de Sam nas sessões é Sidney e acabará virando o foco também de Jean. Ela começa a visitar o café descolado que a jovem trabalha e forçar uma relação. Outro nome, outra profissão, outra vida, solteira, jornalista, independente e desprendida, ela se passa por uma mulher que não é mais jovem, mas que inspira liberdade e um estilo de vida ideal. Daí você deve imaginar onde essa relação irá desembocar e mais que isso, ao passar dos episódios descobrimos segredos, tramas e uma tendência psicológica muito curiosa, não somente daqueles que deveriam ser analisados, mas daquele que analisa.

Se você achar ou achou que inicialmente ela é um pouco “parada” saiba que há uma forte influência britânica aqui, seu objetivo: te envolver. Então, deixe-se ser envolvido e mergulhe nos olhares de Naomi Watts, que sinceramente nunca vi a atriz em uma atuação tão extenuante como em Gypsy. E sim, o episódio final deixa muitas respostas em aberto, mas aí que está a grande sacada, a expectativa para uma segunda temporada ainda mais intensa. Entregar tudo em uma única temporada seria uma burrice tamanha e perderia todo o trabalho de evolução de personagem feito no inicio. Por isso, cada qual enxerga como quer ver e é sempre é válido ter uma perspectiva própria, principalmente sobre Gypsy. 

 

Trailer Gypsy

 

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  • Alex Chagas

    Quero muito ver essa série 😀 agora fiquei com mais vontade!