Resenhas

Resenha | Moonlight: Sob a Luz do Luar, 2016

“Chega um momento que você precisa decidir quem você é.
Ninguém pode tomar essa decisão por você”.
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”

 

“Moonlight: Sob a Luz do Luar” é sem dúvidas o melhor filme do ano. Ganhador do Globo de Ouro como melhor filme, soma ao total de 141 prêmios até o momento e indicado a oito categorias do Oscar 2017, dentre elas, “Melhor Direção” e “Melhor Filme”. Longe dos clichês, ele apresenta de forma sensível e insólita, um garoto do subúrbio de Miami que precisa lidar com adversidades, pobreza, homossexualidade e ainda sendo negro sem a menor perspectiva de futuro.

Dificilmente Moonlight levará as maiores estatuetas para a casa (melhor filme e melhor direção), não por falta de mérito, mas por ainda termos uma Academia conservacionista. Que até o Oscar passado não indicava negros ao Oscar e esse ano foi uma enxurrada para demonstrar o “anti preconceito”. Além do concorrente direto ser o aclamado musical “La La Land” de Damien Chazelle. Não que o musical seja ruim, mas o ideal de casal branco, de sonhos belos, está mais próximo de uma realidade americana idealista de felicidade.

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Dividido em três etapas: infância, adolescência e maturidade, em nenhum momento o filme perde o ritmo, como podes-se imaginar. Ele acaba sendo muito mais dinâmico que a passagem de tempo proposta por Boyhood (2014) e também não força os atores a ficarem presos a passagem de tempo natural. Acaba sendo interpretado por três atores distintos (Alex R. Hibbert criança, Ashton Sanders adolescente e Trevante Rhodes adulto) criando-se uma ponte de interligação, que torna-se praticamente inocultável tal mudança no elenco.

Chrion é filho de mãe viciada, sem pai. Em sua infância sofre diversas ofensas de outras crianças, chamado constantemente de “bichinha”. Sem entender muito bem do que se trata ou se as crianças têm razão ou não por ofende-lo, ele acaba conhecendo o traficante Juan (Mahersala Ali) e sua namorada Teresa (Janelle Monáe) mesmo diante de contatos retraídos, ele irá buscar auxílio nesse seio familiar que é tão desestruturado a ele.

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Na escola ele possui um único amigo, Kevin, atuado por André Holland quando adulto, com o qual também possuirá um relação de distância e descobrimento. Ele que acompanhará de forma distante, porém próxima, o passar do tempo de Chrion. Essa relação entre ambos é feito de forma muito cuidadosa, que irá ser essencial para a formação do garoto e forma como ele verá o mundo e as tomará suas decisões tempos mais tarde.

Durante a adolescência irá lutar para não ser mais um na estatística: negro, pobre e morto na próxima esquina do destino do garoto de subúrbio. Suas dúvidas ainda tão presentes e retraídas, ele aos poucos irá lutar para descobrir quem é e principalmente quem quer ser.  E esse “ser” na vida adulta apresenta duas carcaças: a de quem vê um homem feito desvinculado de sua fragilidade e que por dentro guarda seus maiores segredos para si mesmo, no silêncio de seu peito.

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Ao final perceberemos o poder de simples conceitos e atitudes, que podem mudar completamente o destino de alguém. A forma singular como o filme trata o sentimento, creio que seja a sua maior arma. Como ele consegue ser gentil e nos traçar um final completamente destruidor. Destruidor no sentido que você espera algo óbvio e ele se mostra muito mais profundo e enraizado. Reforça a ideia do julgamento burro pela cor de pele e opção sexual, que traça o destino de um ser humano sem ao menos ser apresentar suas possibilidades.

Moonlight: Sob a Luz do Luar é um filme sobre compaixão. Ele grita por essa alerta e que irá te tocar da forma mais profunda, fazendo com que você jamais consiga ver as coisas novamente da mesma forma.

 

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Trailer – Moonlight: Sob a Luz do Luar

 

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