Seriemaniacos

Resenha | Thirteen Reasons Why (1° temporada)

Thirteen Reasons Why ou Os 13 Porquês não me brilhou os olhos e nem a achei fantástica, incrível, inimaginavelmente foda. Calma! Isso não é um daqueles comentários mainstreams, muito menos estou aqui para sentar o sarrafo na série e ser mais um no meio das opiniões contrárias e tão radicais. Acho que é uma série ok. Poderia ter sido melhor? Poderia! Atingiu o seu objetivo principal? Talvez! E é isso que iremos discutir ao longo desse texto.

Para falar dessa série, prefiro começar do fim e partir para o início. O último episódio é uma síntese de todos os treze episódios – e na minha opinião o melhor deles – intenso e forte, cheio de pontas soltas para uma possível segunda temporada. Creio que se todos os episódios fosse como o episódio 13 seria uma série mais “adulta”, mesmo que esse termo não caiba perfeitamente bem quando falamos de uma série adolescente, mas deixemos aí. Seria mais propicio o termo “maduro”, talvez. Os seus dramas são rasos, os seus personagens acompanham a mesma linha. Não há aprofundamento de fato – você vê o relato, mas não necessariamente você vê como aquilo afeta de forma clara – e os dramas são um tanto infantilizados e dramatizados ao extremos. Mas talvez seja essa a compreensão sobre ser adolescente, afinal. Sinônimo do provérbio tempestade em copo d’agua.

13-reasons-why-image-2-600x400

Outro ponto é a divisão social padronizada. Ou você é o nerd que não fuma e não bebe – como se isso te qualificasse melhor ou pior – ou você é o popular problemático que prefere maltratar o outro do que aceitar os seus próprios problemas e crises. Não, as pessoas não são assim tão preto no branco. Há no meio desse caos o equilíbrio e talvez ai seja onde o Alex se encaixe como o personagem mais completo da série – e o meu predileto. Ele é exatamente esse ponto médio. Não é o babaca, mas não é o puritano. Além de ser o cara mais humano dentre tanta gente vazia.

A “lição” que a série deixou em mim diante todos dramas, causas e efeitos, talvez tenha sido diferente das tantas opiniões que li a respeito. Eu não a achei impute ao suicídio. Muito menos um agravador depressivo. Ela para mim não é voltada ao jovem que sofre dizendo-o que não há saída. Ela fala de humanidade. Da necessidade de sermos mais humanos. Muita gente pede socorro o tempo inteiro. A protagonista da série pediu socorro desde o primeiro alarde e ninguém se importou. Nem mesmo aquele que talvez dizia ser seu melhor amigo. Nem mesmo aquele que deveria orientá-la sobre tomada de decisões sensatas, que é o conselheiro da escola. Talvez ele seja o mais perturbador das figuras “culpadas”. Completamente desestruturado,  sem formação adequada, orientando jovens de acordo com a opinião própria. E isso mostra o quão estamos despreparados para algo que acontece com crianças e jovens desde sempre.

13RW

Não é difícil de imaginar diversas opiniões vazias que não levam a melhora de um sentimento, de um vazio e de uma crise. Conselhos como “tudo na vida passa”, “a sua vida é ótima”, “siga em frente”, talvez sejam ótimos para pessoas que possuem uma estrutura psicológica adequada. Talvez seja ótimo para quem realmente não sente algo como se aquilo lhe fosse consumir por dentro e não houvesse nenhum solução concreta. Talvez eles também estejam certos. Afinal, as vezes, eles só querem ajudar, mas nem sempre esse tipo ajuda resolve. Talvez um abraço seja mais valioso ao momento. Talvez demonstração de afeto seja a solução. Talvez.

A maior lição de Thirteen Reasons Why é a compreensão de que depressão é uma doença. Que o bullying não é coisa de criança. Que nada daquilo que se sente é bobagem. Acredite, algumas pessoas realmente sentem demais por serem simplesmente mais humanas e isso as destrói. Não haja com insensibilidade dando uma fórmula pronta para um problema enorme. Não julgue como algo simples porque o coração de uma pessoa pode ser um enorme abismo.

 

Thirteen Reasons Why

 

Posts Relacionados