Domingo Deprê

Sentidos do Amor: a perda e a descoberta da essência

Sentidos do Amor é aquele filme que em primeiro contato você não se empolga nenhum um pouco a vê-lo. Aquele velho problema de tradução que sempre ressaltamos por aqui. Sentidos do Amor, sério? Mas enfim, vamos tratá-lo pelo seu título original, Perfect Sense, assim talvez, você se convença de que é um filme que vale a pena ser gasto em um Domingo a tarde.

Para mim, em particular, ele foi uma descoberta maravilhosa. Encontrado ao acaso na Netflix, me interessei em primeiro momento pelo seu elenco. Atuado pela diva maior, Eva Green, que me encanta sempre com a sua doçura meio amarga, de quem não pretende te convencer de nada e que ao mesmo tempo te convence de tudo, sem nem ao menos ter essa pretensão. Ao lado do galã bandido herói, eternizado pelas belas citações de “Moulin Rouge”, Ewan McGregor.

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O roteiro se dará em torno dos dois em tempo integral. Ela, Susan (Evan Green) é uma epidemiologista (um tanto incomum profissionalmente, mas que fará toda a diferença para a estória) que está sempre envolvida em relacionamentos ruins e decepcionantes. Já Michael (Ewan McGregor) é um chef de cozinha (que também será essencial ao contexto) está sempre dentro de relacionamentos passageiros e vagos. Nem preciso dizer que desse encontro se dará um relacionamento cheio de troca de experiências e amores faiscados. Mas o melhor desse filme é que o romance é apenas um plano para a mensagem que se dá.

O trabalho de Susan como epidemiologista é essencial por conta de um caso isolado de um motorista que repentinamente perde o sentido do olfato, sem que nenhuma ação ou causa tenha levado a isso. Inicialmente um caso isolado e começa a ser estudado e tenta ser entendido, é expandido para outros casos no mundo inteiro. A primeira perda é o olfato, mas que posteriormente é expandido para a perda de outros sentidos.

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Pronto, o filme se deu a partir daí. Ela como epidemiologista tentará trazer a cura para essas perdas repentinas, ele como chef de cozinha terá o seu trabalho “arruinado”e perceberá o quanto a comida é apenas um aparato de outros sentidos. Se não sentimos o cheiro, a comida perde um tanto do seu encanto, de sua memória. Como a comida caseira nos Domingos na casa de sua casa avó. Sem o olfato ou o paladar, não faz diferença entre servir caviar ou banha e farinha. Ambos alimentam, o que nos instiga são apenas as experiências e as lembranças que aquilo nos traz.

“As pessoas se preparam para o pior.
Mas esperam pelo melhor.
Elas se concentram no que é importante para elas.
Além de todas as coisas além de banha e farinha.”

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Depois da perda do olfato, vem a perda da audição. Depois da perda da audição da fala e assim, sucessivamente. Antes de cada perda, as pessoas se desesperam a ponto de enlouquecerem brevemente. Elas têm um estado de surto e então o sentido se vai. O filme trata isso de uma forma muito interessante, mesclando citação, documentários e fatos do roteiro. Ele cria um cenário próximo a nossa rotina. Nos questiona dos surtos diários que nos levam a guerras, a brigas, a discussões. Aos sentidos perdidos, quando perdemos a cabeça. A falta de humanidade que nos assola, quando fazemos mal a outro.

“Isso é basicamente o que o mundo faz.
Síndrome Severa de Perda da Audição.
Espalha-se da Tailândia.
Da Índia para a China, para a Rússia e além.
Raiva. Ira. Ódio.
E então a perda de outro sentido.
Só resta aos não infectados esperar.”

 

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E se perdêssemos todos os nossos sentidos, o que nos restaria? E se perdêssemos a capacidade de sentir, de cheirar, de falar, de ver? O filme vai até o cerne da nossa existência para nos responder uma pergunta muito básica, a maior essência e sentido que podemos ter: o amor. A nossa existência está palpada ao amor e quando o mundo inteiro estiver uma guerra externa ou interna, se fecharmos os olhos perceberemos que o amor é onde encontremos todas as respostas.

“Está escuro agora, mas sentem a respiração um do outro…
e sabem tudo que precisam saber.
Eles se beijam.
E sentem as lágrimas do outro em suas bochechas.
E se houvesse restado alguém para vê-los…
teriam parecidos simples amantes…
acariciando os rostos um do outro.
Corpos colados. Olhos fechados.
Inconscientes do mundo ao redor.
Porque é assim que a vida passa.
Assim.”

Ficha Técnica | Sentidos do Amor:

Título Original: Perfect Sense
Ano: 2011
Direção: David Mackenzie
Estreia: 30 de Janeiro de 2011
Duração: 92 minutos
Gênero: Drama Romance
País de Origem: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte

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