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Crítica | Reign (2013-2017)

Como grande fã de séries e filmes que retratam a história (principalmente sobre a monarquia européia), quando recebi a indicação de Reign em primeiro momento tive grandes expectativas, depois me senti receosa. Em partes, por ser baseada em fatos históricos poderosos; por outro lado, a produção da série fica a cargo da rede CW (famosa por títulos como The Vampire Diaries, Supernatural, Arrow, Gossip Girl, dentre outros), e que costuma ter em suas produções roteiros tendenciosos a algo mais imaginário e exagerado. 

Considerando que o mundo do entretenimento já representou diversas vezes e de diversas maneiras a história da monarquia inglesa – a era Tudor, a história da Rainha Elizabeth I, Rainha Vitória e até da Rainha Elizabeth II -, Reign chama atenção por contar a história de Mary Stuart, icônica rainha (e não tão conhecida) da Escócia entre 1542 e 1567. 

Durante 4 temporadas, você acompanha Mary “Queen Of Scots” (Adelaide Kane) em sua jornada até o poder. Um caminho trilhado por diversas intrigas, amores, inimigos, escândalos sexuais, forças obscuras, amizades e empoderamento feminino, já que também dá espaço para outras rainhas e nomes poderosos no assunto – como Catherine di Medici (rainha da França, interpretada por Megan Follows), Isabel de Valois (rainha da Espanha, interpretada por Caoimhe O’Malley), e até a própria Rainha Elizabeth I da Inglaterra (Rachel Skarsten). 

Mary chega à França ainda adolescente, com 15 anos, e já prometida para casar com o Príncipe Francis (Toby Regbo), e essa informação é importante porque esse é exatamente o público que a CW pretendia alcançar com a série. Sendo assim, parte do enredo relacionado ao tema não foi tão fiel aos fatos, mas, mais voltado ao objetivo de dar mais protagonismo para esse núcleo, o que fica ainda mais evidente com a trilha sonora cheia de trocas de arranjos clássicos para músicas atuais (o que causou, inclusive, polêmica entre os críticos).


Essa foi uma das “liberdades criativas” que a CW tomou. Houveram outros núcleos de Reign que não seguiram à risca os fatos históricos, mas que acabaram agregando de forma positiva para a trama, como os personagens Sebastian “Bash” (Torrance Coombs), Leigh (Jonathan Keltz) e Clarissa (Katie Boland).

Além disso, na vida real, as três melhores amigas de Mary Stuart também se chamavam Mary, portanto, para evitar confusão na série, elas foram representadas pelos nomes Kenna (Caitlin Stasey), Lola (Anna Popplewell) e Greer (Celina Sinden). As outras diferenças entre a série e a história deixo para você, leitor, descobrir. Garanto que vale a pena.

As interpretações são excelentes (a química entre os personagens foi essencial). A fotografia é de tirar o fôlego e os figurinos impecáveis (desejei vários vestidos e acessórios das personagens femininas). Agradeço por não ter deixado meu pré-conceito atrapalhar minha vontade de ver essa série. Digo isso por conta do meu julgamento inicial, de ser mais um drama ou romance adolescente do que um drama histórico. Estava errada. Nunca imaginei que iria sentir tantas emoções, me conectar com os personagens e me envolver tão profundamente com a trama.

Mais do que um entretenimento, Reign também foi uma bela aula de história e geografia. Pude acrescentar mais uma peça ao quebra-cabeça de como as decisões pessoais, profissionais, religiosas e políticas eram tomadas no passado, e o quanto isso influencia o que vivemos hoje. Inclusive, acredito que não só Reign, mas várias outras séries baseadas em fatos históricos (como The Tudors, The Virgin Queen e The Crown) trazem uma provocação necessária: por que as escolas não usam o cinema como forma de transmitir conhecimento para os estudantes, principalmente em tempos de quarentena? 

Assim como eu (que tenho quase 26 anos nas costas), acredito que muitos adolescentes iriam absorver conteúdos importantes de uma maneira mais didática e leve, além de despertar interesse para outros assuntos e peças desse quebra-cabeça. Um exemplo pessoal: depois de assistir Reign, fiquei curiosa para saber mais sobre a rainha Isabel de Valois, da Espanha, e já descobri uma outra série que explica essa parte da história.

 

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  • Maria Izabel
    16 de junho de 2020 at 13:51

    Comentário perfeitonos leva a ter vontade de assistir e se inteirar mais sobre essa importante personagem da historia !

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