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Elena – O olhar dolorido de um adeus

Ela era poesia. Gostava de dançar, fazia teatro em São Paulo e sonhava ser atriz em Hollywood. Tinha 13 anos quando ganhou uma câmera de vídeo e uma irmã. Elena criava filminhos nos quais dirigia Petra pela casa. Passou a frequentar teatros. Aos 20 anos mudou-se para Nova York para cursar artes cênicas e ir em busca de novas perspectivas e de um futuro. Vítima de uma depressão que se agravava com o acúmulo de decepções na área que escolheu trilhar, Elena se suicida. Petra tinha apenas 7 anos.

Elena era doce, sincera. De sorriso fácil. Assim a vemos através das lentes documentais de Petra Costa em seu primeiro longa-metragem. A diretora e irmã debruça-se nos mesmos passos de Elena. Vasculhando cada canto de Nova York, revisitamos os mesmos cafés, observando com calma as velhas fitas cassetes, tentando encontrar os motivos pelos quais a irmã os deixou de forma tão precoce.

É uma dor sincera e solitária, possível ser sentida, transmitida e que tarda a passar. Uma alma vagando pela tela de forma crua e surrealmente bonita. Entre testes engavetados. Entre vídeos e relatos. Entre atuações e realidade.

Petra mescla intimidade com dureza emocional. Ora nos entregando todos os fatos, ora os escondendo, entre lágrimas que escorrem de forma natural.

Elena dançava tão bonito. Com a câmera na mão, cheia de sonhos. Somos um pedaço de Elena, todos nós. Somos essa fração de sensibilidade, de poesia, de amor e também de dor. Somos essa porção de tristeza e de beleza. Um misto de mistério e fantasia.

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