Domingo Deprê Sessão Cinéfila

Geração Prozac, 2001. Um filme atemporal.

Procurando o que assistir na TV, me deparei com Geração Prozac. Um filme que apesar de ser de 2001, é muito atual em 2020. É baseado no livro autobiográfico homônimo “Prozac Nation” de Elizabeth Wurtzel.  

Em um breve resumo, Elizabeth (Christina Ricci) é uma adolescente que acaba de ser aceita em Harvard com uma bolsa de estudo em jornalismo. Possui uma vida familiar conturbada, pais divorciados e com uma péssima relação.



Ela leva ao pé da letra o modo “sexo, drogas e rock’n roll”, vivendo de excessos, e lutando contra depressão desde seus 10 anos de idade. Após um colapso nervoso, ela decide enfim procurar ajuda e se submete a um tratamento psiquiátrico com a Dra. Sterling (Anne Heche) que passa a lhe receitar o antidepressivo Prozac.

A minha sensação ao terminar o filme foi de um turbilhão de pensamentos, reflexões e a afirmação de que terapia é essencial para todo mundo. São tantos os assuntos que o filme levanta, que é até difícil resumir tudo em apenas uma análise. 

Primeiro há a relação de Lizzie com os seus problemas e a forma como ela procura respostas nos outros (sejam pessoas ou coisas): centrada nos seus vícios (pela escrita e pelas drogas), nas aventuras sexuais com Noah (Jonathan Rhys Meyers), no relacionamento obsessivo com o namorado Rafe (Jason Biggs). E, claro, no traumático divórcio de seus pais.

São fatores que ajudam a entender um pouco a relação que ela possui consigo mesma e suas atitudes. Mas, o mais curioso é ver como ela não consegue enxergar que a resposta está nela mesma e não no desvio de responsabilidade para o outro, evitando encarar os fatos. Por isso, a terapia é tão essencial.



Algumas imposições sociais que o filme retrata já evoluíram nos dias atuais e estão sendo descontraídas. Mas ainda vivemos em um mundo que não educa para que saibamos a lidar com medos, incertezas e inseguranças. Não somos educados para entender a dor e lidar com ela. Consequentemente, não estamos preparados para procurar ajuda emocional.

Se Lizzie, na época, teve uma crise a ponto de ser hospitalizada, fiquei imaginando como seria se o filme “Geração Prozac” se passasse em 2020. Com o impacto das redes sociais, com a liberdade de opiniões, verdades absolutas e espaço para falar o que se vem na cabeça sem ideia das consequências. Talvez as suas tentativas de suicídio não teriam sido apenas tentativas e sim, concretização.



Mas há algo que Lizzie diz que é verdade (e digo por experiência própria): o remédio é sim um respiro, mas o que falta ela complementar é que é um suspiro para um tratamento terapêutico adequado. Um respiro para que as relações sejam mais saudáveis e para que a gente consiga se entender melhor. É só um primeiro passo.

Mas me pergunto se o remédio também seria realmente necessário se não houvesse tanta vergonha por parte de quem sofre. Ainda há muito “tabu” ao redor de doenças psicológicas e de terapias. Procurar ajuda não é sinônimo de loucura. E sim, de que somos humanos, frágeis e que todos temos dores que precisam ser ouvidas, entendidas e tratadas. 
 

Trailer – Geração Prozac

Geração Prozac, 2001
Direção: Erik Skjoldbjærg



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