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Kidding – Uma forma lúdica de tratar assuntos difíceis


Kidding apesar das ótimas críticas, parece que ainda não conseguiu se expandir e ganhar o gosto popular. Pouco conhecida e de poucas visualizações, ganhou recentemente a sua segunda temporada também com alguns episódios dirigidos por Michel Gondry.

Se você não é muito fã de nomes de diretores, provavelmente Michel Gondry passou despercebido, diretor de “Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças”, também protagonizada por Jim Carrey. Ambas trazem os mesmos ares, o que já possibilita entender um pouco de Kidding.


Jim Carrey vive Jeff, um comediante que possui um programa infantil na TV de muito sucesso chamado “Mr. Pickel’s Puppet Time”. Apesar de muitos fãs e há muitos anos na TV, ele é um cara extremamente solitário, mas dono de um enorme coração, bondoso, generoso e gentil. E mesmo com todas suas qualidades, passa por um difícil processo de divórcio e tendo de lidar com a perda de um de seus filhos.

A série trata de diversos assuntos difíceis e delicados, mas em nenhum momento transparece uma carga pesada. A mistura elementos lúdicos e fantasiosos, em meio a todas essas crises reais e humanas, torna-a leve e gentil. Sem nunca beirar ao infantil, talvez ao auge da inocência, o que causa ainda mais encantamento.


A trama acompanha em primeiro plano Jeff, mas também dá protagonismo a outros personagens. Como a sua irmã Deirdre (Catherine Keener), que depois de muitos anos, casada, descobre que o marido é gay e está tendo um caso com o vizinho, que também é professor de piano de sua filha. Ou os dramas adolescentes de Will, seu filho, que passa por todo o amor/ódio pelo pai. Ora o culpando, ora tentando não deixar de amá-lo.

Dito tudo isso, saiba que ainda é uma série de comédia. Possui o formato de 30 minutos por episódio, mas você dificilmente irá gargalhar. Há cenas com alta carga de ironia que irá te tirar alguns risos, mas basta por aí. O que também não significa que você irá chorar horrores ou irá sofrer diante de assuntos pesados, o seu lado lúdico balanceia os contrapontos, deixando-a fácil de ser consumida.

Catherine Keener as Deirdre and Jim Carrey as Jeff (AKA Mr. Pickles) in KIDDING (Season 1, Episode 04, “Bye Mom”). – Photo: Erica Parise/SHOWTIME –



Além de seu bom roteiro, a direção merece destaque. É incrível como o diretor consegue unir cenas (quando algo acontece no tempo presente e se une sem quebra de cena para algo no passado, com assuntos que se correlacionam) e Kidding faz isso o tempo todo. Sem mencionar o perfeito plano sequência do S01E03.



Mais um reforço para a abertura. Cada episódio se difere no assunto, mantendo o mesmo formato: stop motion, com elemento de papel e recortes, que contam um pouquinho de como será o episódio. Isso tudo feito em apenas 5 segundos.

É bom ver Jim Carrey de volta e tão bem. E é bom ver uma série de trata de assuntos tão difíceis de uma forma tão bonita, sincera e mágica.

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